IMS promove mostra sobre violência política no Brasil

Imagens retratam guerras civis e conflitos armados envolvendo o estado

Publicado em 05/12/2017
Policiais atrás de homens com as mãos na cabeça. ('Revolta de Aragarças: Rendição de amotinados'. Aragarças, GO, dez. 1959. Arquivo digital. Campanella Neto/CPDOC JB)

O Instituto Moreira Salles (IMS) do Rio de Janeiro inaugurou a exposição Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964, com 338 imagens que constroem uma narrativa histórica diferente. A mostra não revela um país pacífico e festivo, mas, sim, uma nação que viveu 18 eventos relacionados a guerras civis e conflitos armados envolvendo o estado, da Proclamação da República ao Golpe de 1964.

Maria Bonita em 1936. Fotógrafo desconhecido/Coleção Ruy Souza e Silva

Com curadoria de Heloisa Espada, a exposição contou com quatro anos de pesquisa. Todo o levantamento foi iniciado no próprio acervo iconográfico do IMS e se estendeu por mais de 30 coleções, contando com imagens de fotógrafos como Marc Ferrez, Benjamin Abrahão, Augusto Malta, Claro Jansson, Juan Gutierrez e Evandro Teixeira, que evidenciam as fissuras sociais do país. 

"Iniciamos uma pesquisa muito ampla, que vinha desde a Guerra do Paraguai e abordava outros eventos. Depois fechamos o recorte entre 1889 e 1964, dois períodos de ruptura, levando-se em conta que a Proclamação da República também foi um golpe de estado", disse Heloisa Espada em entrevista para O Globo.

Membros da Coluna Prestes, com chimarrão e violão, posam para foto. (Coluna Miguel Costa-Prestes. Guaíra, PR, nov. 1924. Fotografia/papel, gelatina/prata, 9 x 12 cm. / Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil)

A mostra ainda aborda como a atuação dos fotógrafos mudou com o passar do tempo e destaca as transformações dos processos fotográficos por meio dos materiais utilizados, como imagens impressas em papel de albumina e de gelatina de prata.

Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964 fica em cartaz no IMS do Rio de Janeiro (R. Marquês de São Vicente, 476, Gávea) de terça a domingo, das 11h às 20h, até julho de 2018. A entrada é gratuita e, a classificação, livre.  

Foto: Divulgação/Revolta de Aragarças/Arquivo digital. Campanella Neto/CPDOC JB